segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Censo Agropecuário e Agricultura Familiar

O incômodo Censo Agropecuário

Roberto Malvezzi (Gogó)*



O último censo agropecuário trouxe verdades incômodas que atiçaram a ira do agronegócio brasileiro. Afinal, a pobre agricultura familiar, com apenas 24,3% (ou 80,25 milhões de hectares) da área agrícola, é responsável “por 87% da produção nacional de mandioca; 70% da produção de feijão; 46% da de milho; 38% da de café; 34% da de arroz; 58% da de leite; 59% do plantel de suínos; 50% da de aves; 30% da de bovinos; e, ainda, 21% da de trigo. A cultura com menor participação da agricultura familiar foi a soja (16%). O valor médio da produção anual da agricultura familiar foi de R$ 13,99 mil”, segundo o IBGE. Quando se fala em agricultura orgânica, o percentual chega a 80%. Além do mais, provou que tem peso econômico, uma vez que é responsável por 10% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
O problema é que a agricultura familiar, além de ter menos terras, tem menos recurso público como suporte de suas atividades. Recebeu cerca de R$ 13 bilhões em 2008 contra cerca de R$ 100 bilhões do agronegócio. Portanto, essa pobre, marginal e odiada agricultura tem peso econômico, social e uma sustentabilidade muito maior que os grandes empreendimentos. Retire os R$ 100 bilhões de suporte público do agronegócio e veremos qual é realmente sua sustentabilidade, até mesmo econômica. Retire as unidades familiares produtivas dos frangos e suínos e vamos ver o que sobra das grandes empresas que se alicerçam em sua produção.
Mas a agricultura familiar continua perdendo espaço. A concentração da terra aumentou e diminuiu o espaço dos pequenos. A tendência, como dizem os cientistas, parece apontar para o desaparecimento dessas atividades agrícolas.
Porém, saber produzir comida é uma arte. Exige presença contínua, proximidade com as culturas, cuidado de artesão. O grande negócio não tem o “saber fazer” dessa agricultura de pequenos. E, bom que se diga, não se constrói uma cultura de agricultura de um dia para o outro. A Venezuela, dominada secularmente por latifúndios, não é auto-suficiente em nenhum produto da cesta básica. Exporta petróleo para comprar comida. Chávez, ao chegar ao poder, insiste em criar um campesinato. Mas está difícil, já que a tradição é fundamental para haver uma geração de agricultores produtores de alimentos.
O Brasil ainda tem – cada vez menos – agricultores que tem a arte de plantar e produzir comida. O Norte e Nordeste mais permeados pela tradição negra e indígena. O Sul e Sudeste mais permeados pela tradição europeia (italianos, alemães, polacos etc). É preciso, ainda, considerar a presença japonesa na produção de hortifrutigranjeiros nos cinturões das grandes cidades.
Preservar esses agricultores é preservar o “saber fazer” de produtos alimentares. Se um dia eles desaparecerem, o povo brasileiro, na sua totalidade, sofrerá com essa ausência. Para que eles se mantenham no campo são necessárias políticas que os apoiem ostensivamente, até mesmo com subsídio, como faz a Europa. Do contrário, se dependermos do agronegócio, vamos comer soja, chupar cana e beber etanol.

* Integrante da direção da Comissão Pastoral da Terra nacional (CPT)

(Os artigos publicados não reproduzem, necessariamente, a opinião do Ibase.)

Publicado em 23/10/2009.

BNDES e o impacto socioambiental

Desenvolvimento e meias-verdades: a quem desenvolve o BNDES?


No dia 25 de novembro encerrou-se, no Rio de Janeiro, o 1º. Encontro Lationoamericano dos Impactados pelos Projetos de Financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) – ou simplesmente o “Encontro dos Atingidos pelo BNDES”, reunião organizada pela Plataforma BNDES. Dele participaram cerca de duas centenas de pessoas – grupos, organizações não governamentais, ministério público e movimentos sociais – vindos de todo Brasil além de Colômbia, Equador, Bolívia e Peru. O tom dos debates foram os imensos impactos sociais e ambientais ocasionados pelo BNDES no seu afã de ser a locomotiva do desenvolvimento à Lula.
Esse banco é gigantesco em tudo. É detentor de uma carteira de financiamentos de bilhões de reais, e, hoje, é um dois maiores bancos de fomento à iniciativa privada do mundo - seus investimentos espalham-se não só pela América Latina mas também pela África, especialmente por Angola e Moçambique.
Banco do paradoxo, é ponta aparente de uma idéia de desenvolvimento que reconhece o papel central do Estado como seu promotor, distribuição de renda e diminuição das desigualdades regionais – sem dúvida um avanço em relação à mediocridade engravatada dos anos FHC. Por outro lado – aí está o paradoxo – não possui um traço do nacionalismo dos anos 1950 sendo o grande parceiro das transnacionais privadas e nacionais na implantação de grandes projetos muito mais interessantes ao grande capital que ao interesse público – sim, tenho dúvida sobre onde está o interesse público em investimentos como as usinas do rio Madeira que custarão cerca de R$ 14 bilhões ao Estado e retornarão cerca de R$ 300 bilhões em trinta anos para o consórcio privado financiado de “pai-prá-filho”.
“Atingidos”, sim o progresso “atinge” populações inteiras no sentido de impactá-las econômica e socialmente. Não é verdade que o “progresso” é linear e sempre “progressista”. Pelo contrário, muitas vezes – na maioria das vezes em se tratando do BNDES – o “progresso” representa interesses privados poderosos que, camuflados num discurso bom-moço de responsabilidade social e sustentabilidade, estão privatizando rios, terras,  sub-solo, derrubando florestas, deslocando populações, produzindo enclaves “desenvolvidos” como ilhas cercadas de abandono por todos os lados (como Tucuruí, Parauapebas, Manaus, Barcarena e por ao vai).

O custo tem sido muito alto e o benefício muito baixo.  Basta vocês irem a um desses oásis de progresso, por exemplo na Amazônia, para verem como as promessas de desenvolvimento não cumpridas estão causando frustração para as populações. 
Os empregos gerados num grande empreendimento tipo usina hidrelétrica seguem uma curva crescente e declinam bruscamente à medida que a obra vai chegando ao fim e, se enquanto elas ocorrem geram empregos, ao final tem-se um problema social muito grande. As cidades impactadas pelo “progresso”, por sua vez, afundam no atavismo, vivendo parasitariamente de royalties ou compensações às sociedades locais. Via de regra, não são pensadas alternativas de dinamização econômica, e dá-se continuidade a ideia de população vivendo do comércio e dos empregos públicos.

O BNDES é relapso quanto ao cumprimento de sua cláusula social, é cúmplice do trabalho escravo, do desmatamento da Amazônia e do Cerrado, finge que não é com ele que a legislação ambiental seja desrespeitada por seus financiados. O BNDES devia ter o mesmo enquadramento dos vendedores de armas que abastecem o tráfico nas favelas cariocas por enquanto é co-responsável por ser financiador da ilegalidade e dos impactos causados por seus financiamentos.

Certamente os economistas do BNDES vão mostrar suas planilhas e provar por A mais B que não é verdade, que isso não passa de mais um ataque entreguista e que o governo Lula tem que ser defendido a qualquer custo. Mas então vale a pena eles deixarem suas salas envidraçadas na Avenida Chile, de onde tem uma das visões mais bonitas da cidade do Rio de Janeiro, e ir pra lugares onde estão financiando o “progresso”. Que tal ir a Altamira e conversar com as populações que serão impactadas pela usina de Belo Monte? Que tal irem até Estreito conversar com o cidadão(ã) comum e não somente com os políticos e comerciantes? Que tal ir até Porto Velho e experimentarem ser ar neo-metropolitano, a festa antes da conclusão das usinas?
As atingidos têm propostas. A principal: transparência e diálogo. Nenhum dos movimentos ali presentes é contra o desenvolvimento, agora, todos querem qualificar o debate: que desenvolvimento é este? A serviço de quem ele está? Como ficam a questão dos impactos causados pelos financiamentos? E o controle social?

No dia 24, saí do Circo Voador em direção ao Largo da Carioca, quando dei por mim estava na frente da sede do BNDES. Há duas entradas para o prédio que convergem para uma aprazível praça cheia de plantas e bancos. Os portões têm mais de 20 metros de largura dando a impressão de que sua portaria se confunde com a rua. Estavam fechadas em plena terça-feira. Na frente, tapumes de ferro e um aviso de que era proibida a circulação de pedestres e entrada no banco só de funcionários com crachá. Um banco público de portas fechadas com medo dos atingidos. Real e metafóricamente.

*Sociólogo, consultor, militante da economia solidária.

(As opiniões das colunas não traduzem, necessariamente, posições do Ibase.)

Publicado em 04/12/2009.

Aquecimento incerto

Climategate levanta dúvidas sobre efeito do homem nas mudanças climáticas.


Líderes de cem países já confirmaram presença para a cúpula climática da Organização das Nações Unidas, que vai acontecer na próxima segunda, 7, em Copenhague. A discussão vai focar na redução das emissões de CO2, que segundo os ambientalistas, é o principal causador do aquecimento. Esta afirmação, no entanto, pode estar errada e os líderes mundiais podem ir a caminho de Copenhague com dados falsos.
Emails vazados mostram que o cientista Philip Jones, da Unidade de Pesquisa de Clima da University of East Anglia, retinha dados de suas pesquisas, e supostamente os manipulava para sustentar sua visão de que o aquecimento global é causado por mãos humanas. Jones – que se afastou do cargo em meio à crise que ganhou o apelido de “Climategate” – trocou mensagens eletrônicas com cientistas responsáveis por dois dos quatro índices nos quais a ONU se baseia para montar seu programa de mudança climática e também com o braço direito do ex-vice-presidente norte-americano Al Gore.
Entre os especialistas, a própria existência do aquecimento global é uma incerteza. O professor de Dinâmica do Clima na Universidade Federal de Alagoas Luiz Carlos Molion é enfático: “o aquecimento é um mito. Todos os dados que temos apontam para um resfriamento nos próximos 20 anos”. Molion é também contra a conferência de Copenhague. Para ele, não passa de uma plataforma política, sem lugar para ciência.
O professor explica que os fluxos naturais de CO2 entre os oceanos, solos e vegetação somam 200 bilhões de toneladas por ano, com variação de 40 bilhões de toneladas a mais ou a menos. O homem, segundo ele, joga na atmosfera 6 bilhões de toneladas por ano. “Ou seja, as emissões do homem não passam de um erro, uma variação estatística, sem peso.” Molion afirma ainda que reduzir as emissões é o mesmo que deter o crescimento econômico necessário para o Brasil.
Molion faz uma importante distinção: emissões de CO2 e poluição são coisas diferentes. A poluição, pode vir, por exemplo, da queima de enxofre que sai do cano de descarga dos carros como ácido sulfúrico. “A poluição mata muito, só em São Paulo, são 80 mil pessoas por ano, principalmente idosos.” A incerteza sobre o aquecimento global não impede que se pense em mudanças na forma como o ser humano usa seus recursos naturais.
O professor Kenny Tanazaki, do Departamento de Análises Geoambientais da Universidade Federal Fluminense, acredita que precaução é o mais importante. “Caso o aquecimento não seja causado pelo homem, ainda assim estaremos arrumando nossa casa.”
O professor argumenta que mudanças de temperatura só podem ser verificadas com certeza depois de décadas de estudo e que, para ele, deve-se sempre trabalhar com o pior cenário possível. “Existe uma teoria de que o aquecimento global é inevitável, se não for, perder duas ou três décadas para agir pode ser fatal.”
Heitor Evangelista, professor de mudanças climáticas do Departamento de Biofísica da Universidade do Estado do Rio, aponta um dado importante: a curva de aumento de temperatura neste século não corresponde ao da concentração de CO2 na atmosfera. Para ele, até 1970 o aumento da temperatura pode ser explicado por “fatores terrígenos”, ou seja, sem a interferência do homem.
O problema, de acordo com Evangelista, é a dificuldade de se medir emissões e traçar projeções. Sobre os dados de Philip Jones – do Climategate – o professor afirma que a base do aquecimento global é um dado experimental, e qualquer cenário criado a partir destes dados é hipotético.


Caro leitor,
Existe uma histeria em torno das mudanças climáticas?
Um país deve reduzir emissões e prejudicar seu desenvolvimento econômico?
Com incerteza até sobre a existência do aquecimento, o que será de Copenhague?

Escrito por: Fábio Terra 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Início com Cara de Fim


Enviado por Míriam Leitão e Alvaro Gribel
17.1.2010 as 15h00m

Coluna no GLOBO



Foram apenas duas semanas, e o ano já parece velho. Enchentes, deslizamentos e mortes no Rio, em Angra, em São Luiz do Paraitinga alertaram para os riscos que a população urbana corre. Crise institucional na Argentina. Crise econômica e racionamento na Venezuela. Catástrofe no Haiti, país mais pobre das Américas, em dimensões não vistas em 200 anos.
O ano de 2010, que começou cercado de esperanças na área econômica, pesou de repente. A primeira semana foi dolorosamente ocupada pela morte e destruição das tempestades em várias áreas do Brasil. A segunda semana excedeu tudo o que se pudesse imaginar na pior ficção de terror. O mundo ainda não sabe como sair da tragédia do Haiti, que espanta a todos. “Desolação e impotência”, diz um jornalista dominicano que tem enviado informações por twitter de lá desde o primeiro momento, com fotos e palavras. Os relatos dos primeiros jornalistas brasileiros que conseguiram chegar lá são aterradores. Nada parece pior, e mesmo assim se teme pelo pior: uma revolta desesperada pode eclodir a qualquer momento no país que não tem como enterrar seus mortos, resgatar os soterrados, alimentar e dar água aos feridos. Um país que não tem estrutura sequer para receber ajuda.
Um sinal dos tempos extremos foi dado aqui neste jornal. A manchete de quinta-feira era “Desespero”. A de sexta-feira era: “Horror, fome e revolta.” A situação é tão limite que o mundo não tem alternativa a não ser superar todos os falsos obstáculos que sempre foram criados entre os países pela lógica mesquinha do cotidiano. Estados Unidos recebendo permissão do governo de Cuba para usar seu território é o que não se vê há 50 anos. A mobilização pública e privada começa a se formar em dimensão robusta.

Mesmo assim, a luz no fim do túnel tardará para o Haiti. “Hoje, somos todos haitianos”, escreveu em seu twitter a jornalista Kristie lu Stout, da CNN de Hong Kong, e imediatamente o texto foi retuitado no Brasil. O sofrimento dos haitianos terá que unir os países, eliminar distâncias, superar inimizades e mobilizar organizações e pessoas, porque seu abandono seria o fim da esperança. Se o Haiti não nos comover, nada mais comoverá o mundo.
Além disso, há uma lição prática a se tirar tanto dos desastres do Brasil do começo do ano como da tragédia do Haiti. O que o mundo tem visto com muita frequência é que não está preparado para qualquer evento extremo. Até o país mais rico do mundo pareceu extraordinariamente despreparado para o Katrina, quando o furacão vitimou Nova Orleans.
O que os cientistas estão dizendo é que eventos extremos — inundações, secas, furacões, tempestades violentas, deslizamentos — vão acontecer no mundo com mais frequência e mais rigor. Terremotos não são fenômenos da mesma natureza, como se sabe. São movimentos de placas tectônicas, para os quais, em alguns países mais ricos, como o Japão, e até a uma certa intensidade, consegue-se preparar o país. Impossível é se preparar para $da magnitude do que houve no Haiti. Ele foi assim tão letal pela pobreza do país. No Haiti, o que aconteceu foi o encontro de duas tragédias: um violento terremoto num país de privação absoluta. O que fica claro para a maioria das pessoas, só agora, é que o país tinha sido desamparado demais, por tempo demais. Só recentemente as Forças de Paz da ONU chegaram. O Brasil pode dizer que tem feito seu trabalho de comando das tropas internacionais com extrema diligência, tentando levar o mínimo a um país sem nada. E tinha feito tão bom trabalho que virou uma liderança no país sem nenhuma baixa em combate. As poucas perdas de vida antes do terremoto haviam sido atingidas por acidentes. Agora, o Brasil enlutado vê a volta de militares em caixões e, consternado, chora a morte de Zilda Arns, ícone da solidariedade e da vitória sobre a mortalidade infantil. O fato de que ela estava lá mostra que o Brasil sempre se importou com a tragédia haitiana. O mundo certamente subestimou o tamanho do desamparo do Haiti.

Mas o alerta dos cientistas não tem sido ouvido. Fenômenos naturais, mas agravados pelas mudanças climáticas, atingirão mais e mais populações. É preciso ter tecnologia, logística, treinamento para saber como evacuar áreas, como abrigar desabrigados, como receber expatriados. É preciso ter forças de paz cada vez mais treinadas, num mundo que perde ainda tanto tempo, recursos e vidas com os esforços de guerra.
O ano será de boas notícias econômicas que vão apagar um pouco a impressão desse chocante começo. A economia está retomando o nível de atividade no Brasil, e as notícias de aumento de investimento, recorde de vendas, crescimento da arrecadação vão ocupar cada vez mais as páginas da economia. Há preocupações com sinais de desequilíbrios em alguns países e em certos setores que podem trazer riscos de bolhas e sustos. O debate político-eleitoral vai criar suas polarizações e simplificações, principalmente a partir do segundo trimestre. Depois, virá a Copa do Mundo com sua torcida. Será um ano cheio de emoções.

Que desse impacto inicial do ano fique o melhor: a capacidade de multiplicar a solidariedade como nos ensinou Zilda Arns, a sabedoria de começar a preparar espaços urbanos para os eventos naturais mais rigorosos que certamente virão, um debate político que não se amesquinhe e procure soluções para os problemas do Brasil. O ano mal começou mas já nos indicou, com seus fatos extremos, o que é essencial na vida.

redução de CO2

Cientistas holandeses criam técnica barata para tirar CO2 do ar







Um novo dispositivo apresentado nesta quinta-feira (14) por cientistas pode um dia se tornar uma máquina para salvar o planeta do aquecimento global: ele tira o dióxido de carbono (CO2) do ar e o transforma em compostos de carbono que podem ser vendidos como matéria-prima à indústria.






Os pesquisadores holandeses autores da invenção, porém, afirmam que ainda não é possível aplicá-la em grande escala.






O que os cientistas fizeram foi criar uma estrutura que ajuda o CO2 do ar a se transformar em uma substância chamada oxalato de lítio. O mecanismo usa um composto do tipo que os cientistas chamam de catalisador, que serve para estimular e acelerar reações químicas.


Conseguir que uma placa feita de um material complexo à base de cobre fizesse isso não foi fácil. Estruturas com cobre expostas ao ar geralmente reagem com o oxigênio (O2), não com o gás carbônico (CO2).


Isso ocorre porque o oxigênio tem muito mais facilidade para participar de reações químicas. Ele é mais instável, se agrupa facilmente com outras moléculas. A estrutura criada pelos holandeses, entretanto, quebra a expectativa e reage com o CO2.



Mistério - Nem os cientistas entenderam direito como conseguiram a façanha. "Por que isso aconteceu, nós não entendemos", disse à Folha Elisabeth Bouwman, da Universidade Leiden, na Holanda, que publicou, com sua equipe, a descoberta na revista "Science".





Eles são especialistas em estruturas sintéticas úteis como catalisadoras em reações com carbono.


Eles ficaram especialmente animados por três motivos. Um deles é que a substância final em que o CO2 se transforma, o oxalato de lítio, é bastante estável. Isso significa que o carbono está bastante preso dentro dela - não vai voltar para a atmosfera tão cedo.


O segundo é que o oxalato de lítio pode servir como insumo na fabricação de produtos de limpeza doméstica ou de substâncias úteis para uso em componentes de refrigeradores.


O último é que o catalisador que criaram é "reciclável". Ou seja, ele pode ser utilizado de novo após oxalato de lítio ser removido dele. Isso torna o mecanismo mais viável.




Começo - O processo, porém, ainda está longe de sair dos laboratórios e ganhar escala. Dificilmente se tornaria viável rápido o suficiente para conter o aquecimento global nas próximas décadas. Segundo Bouwman, seu estudo "é só o começo".





Ainda assim, é um grande passo. Todos os mecanismos propostos até hoje para tirar CO2 da atmosfera e transformá-lo em outra substância gastavam uma quantidade proibitiva de energia. O mecanismo holandês, entretanto, é mais simples e, assim, tem um consumo elétrico pequeno.


Algumas substâncias usadas no processo, porém, ainda encareceriam um ganho em escala. Uma delas é o lítio. Por isso, diz Bouwman, o próximo passo é fazer pequenas modificações nas estruturas usadas.


O trabalho vai adiante em um constante processo de tentativa e erro. "Fazemos as modificações e observamos o que acontece: se o complexo fica mais reativo, se a reação vai mais rápido." 



(Fonte: Folha Online)



Agricultura Orgânica




"Promover o conhecimento e incentivar o debate entre os agricultores e proprietários de terra, sobre os problemas e conseqüências da utilização da agricultura químico-industrial."


1. Proporcionar aos pequenos agricultores e proprietários de terra, conhecimentos e métodos de agricultura orgânica através de experiências práticas.

  • Prestar assessoria técnica na produção e comercialização, realizando reuniões e visitas periódicas aos agricultores  interessados, orientando-os e discutindo os aspectos relacionados à produção, organização e planejamento da propriedade;
  • Ampliar experiências de agricultura orgânica, diversificando as culturas, introduzindo diferentes tipos de adubos verdes e espécies para uso agroflorestal.
2. Promover o conhecimento e incentivar o debate entre os agricultores e proprietários de terra, sobre os problemas e conseqüências da utilização da agricultura químico-industrial, estimulando o trabalho em grupo e o associativismo, na busca do planejamento, organização e administração das propriedades rurais, com base nos princípios e práticas da agricultura orgânica e agrossilvicultura, enfatizando os princípios de conservação e valorização dos recursos naturais renováveis.
  • Levar conhecimentos, técnicas e noções de agricultura sustentável aos proprietários de terra e técnicos.
  • Disponibilizar aos grupos de agricultores orgânicos, modelos de estatuto de cooperativas e associações, para que possam discutir e decidir o modelo associativo a ser adotado.

"A adoção de substâncias químicas ou outros materiais sintéticos que desempenhem no solo funções estranhas às desempenhadas pelo ecossistema."


Agricultura orgânica é um sistema de gerenciamento total da produção agrícola com vistas a promover e realçar a saúde do meio ambiente, preservar a biodiversidade, os ciclos e as atividades biológicas do solo. Nesse sentido, a agricultura orgânica enfatiza o uso de práticas de manejo em oposição ao uso de elementos estranhos ao meio rural. Isso abrange, sempre que possível, a administração de conhecimentos agronômicos, biológicos e até mesmo mecânicos. Mas exclui a adoção de substâncias químicas ou outros materiais sintéticos que desempenhem no solo funções estranhas às desempenhadas pelo ecossistema.
 
Critérios básicos para a prática da agricultura orgânica:

  • Proteção da fertilidade dos solos a longo prazo, estimulando sua atividade biológica.
  • Intervenção mecanizada cautelosa.
  • Fornecimento de nutrientes ao solo em forma natural, não obtidos por processos químicos.
  • Auto-suficiência em nitrogênio pelo uso de leguminosas e inoculações com bactérias fixadoras de nitrogênio, e com reciclagem de materiais orgânicos provenientes de resíduos vegetais e estercos animais.
  • Controle de doenças, pragas e ervas pela rotação de culturas, inimigos naturais, diversidade genética, variedades resistentes, adubação orgânica, intervenções biológicas, extratos de plantas e caldas elaboradas com componentes naturais.
  • Bem estar das espécies exploradas na criação animal, através de nutrição, tratamento sanitário e condições de vida que respeitem suas características.
  • Atenção especial ao impacto do sistema produtivo sobre o meio ambiente, protegendo a flora e a fauna existentes.
  • Condições de trabalho que representem oportunidades de desenvolvimento humano aos envolvidos.
  • Processamento limpo e controlado.
  • Extrativismo sustentável.
Viabilização da Agricultura Orgânica

"A nova agricultura poderá ter como uma de suas características principais estar fundamentada numa ciência agronômica não reducionista e na participação de um agricultor que tenha ou recupere suas capacidades de observação e de respeito pelo seu espaço de produção, reconheça e respeite o tempo da natureza e os consumidores como parceiros ativos e interessados."

Aspectos importantes a serem utilizados e observados para a viabilização da agricultura orgânica

  • O lucro é importante para qualquer tipo de agricultura
  • Deve haver limites ao lucro (consumidor, agricultor e trabalhador devem ser vistos como seres humanos)
  • Que preço se está disposto a pagar pela viabilidade econômica da agricultura orgânica
  • Devem haver princípios éticos e mercado justo
  • O papel do marketing na mídia é fundamental para viabilizá-la em larga escala
  • As possibilidades de utilização mais intensa e constante de ações visando esclarecer os consumidores sobre os efeitos perigosos dos agrotóxicos sobre a saúde humana e meio ambiente atual e para as gerações futuras
  • Qual a estratégia que pode ser adotada para que se consiga não perder o controle do avanço da agricultura orgânica e para que a sua viabilidade econômica não seja alcançada às custas de suas filosofias e ideais (o lucro pelo lucro e as transnacionais entrando no mercado)
  • Não se deve perder de vista os princípios fundamentais e éticos que deram origem aos movimentos alternativos de produção agrícola
  • Não se deve adotar os mesmos parâmetros
  • Pouco adiantará construir um processo diferente de produção, se ele trouxer consigo os mesmos desvios que estão presentes atualmente nos processos dominantes de tecnologia e comercialização
  • A nova agricultura poderá ter como uma de suas características principais estar fundamentada numa ciência agronômica não reducionista e na participação de um agricultor que tenha ou recupere suas capacidades de observação e de respeito pelo seu espaço de produção, reconheça e respeite o tempo da natureza e os consumidores como parceiros ativos e interessados.
 Construção da Agricultura Orgânica

"Todas as correntes de agricultura (compreendendo orgânicos, naturais, biodinâmicos e outras) não agroquímica, de um modo geral, poderiam ser englobadas em uma categoria de agricultura com cultura, que terá de caminhar no sentido de obter uma produção física abundante, suficiente e econômica."


A construção de uma agricultura mais humana e respeitadora do meio ambiente e de um mercado justo implica que se opte por:
  • Uma concepção de produção e comercialização agrícolas na qual agricultores devem deixar de ser considerados apenas receptores de tecnologia, conselhos e informações e os consumidores devem passar a ter um papel ativo, fazer parte de ambos os processos, influindo diretamente sobre os mesmos
  • Uma ciência agrícola, que não deve se reproduzir ou espelhar-se no atual modelo, apenas substituindo-se os insumos e recomendações utilizadas. A nova agricultura deve incorporar a capacidade de produção de conhecimentos dos agricultores que já foi historicamente demonstrada e o interesse e participação dos consumidores
  • Tentar descobrir formas de trazer os agricultores e seu conhecimento local de volta para a produção de conhecimentos formais para a agricultura
  • Reforçar um fator favorável ao desenvolvimento de uma agricultura com cultura, que é o fato de os agricultores tenderem a estar fortemente ligados aos seus pedaços particulares de terra (quando as têm) e constituir meta de quase todos transmitirem-na aos seus filhos e netos e de quererem também transmitir seus conhecimentos práticos da lavoura.

O conhecimento dos agricultores é necessariamente local, uma vez que deriva da experiência direta dos processos de trabalhos, os quais são formados e delimitados pelas diferentes características de um lugar particular com um ambiente físico e social específico e único.
Todas as correntes de agricultura (compreendendo orgânicos, naturais, biodinâmicos e outras) não agroquímica, de um modo geral, poderiam ser englobadas em uma categoria de agricultura com cultura, que terá de caminhar no sentido de obter uma produção física abundante, suficiente e econômica, porém respeitando os limites e funções adicionais de produzir simultaneamente conhecimentos sobre a própria produção, gerar empregos, contribuir para regenerar o meio ambiente local e regional e, em última instância, contribuir para a regeneração do planeta.
Produto Orgânico

"O grande valor da horticultura orgânica é promover permanentemente o melhoramento do solo. Ao invés de mero suporte para a planta, o solo será sua fonte de nutrição."

O produto orgânico é cultivado sem o uso de adubos químicos ou agrotóxicos. É um produto limpo, saudável, que provém de um sistema de cultivo que observa as leis da natureza e todo o manejo agrícola está baseado no respeito ao meio ambiente e na preservação dos recursos naturais.

O solo é a base do trabalho orgânico. Vários resíduos são reintegrados ao solo; esterco, restos de verduras, folhas, aparas, etc., são devolvidos aos canteiros para que sejam decompostos e transformados em nutrientes para as plantas. Essa fertilização ativará a vida no solo; os microorganismos além de transformar a matéria orgânica em alimento para as plantas, tornarão a terra porosa, solta, permeável à água e ao ar. O grande valor da horticultura orgânica é promover permanentemente o melhoramento do solo. Ao invés de mero suporte para a planta, o solo será sua fonte de nutrição.

Gesseiros de Pernambuco

Ministério do Meio Ambiente fecha empresas de gesso que degradavam Caatinga




A Operação Mata Nativa do Ministério do Meio Ambiente fechou sete indústrias do polo de gesso de Araripe, no interior de Pernambuco. As empresas usavam madeiras nativas extraídas ilegalmente do bioma da região, a Caatinga. A ação de quinta-feira (14) contou com a colaboração de agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), das polícias Civil e Militar, da Força Nacional, do Ministério Público, além da participação do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

O coordenador da operação, José Maurício Padrone, do Ministério do Meio Ambiente, contou que em 2007, o Ibama embargou 56 empresas de gesso da região do Araripe por crime ambiental. Elas voltaram a atuar depois de assinarem um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público.

“Sete empreendimentos foram definidamente fechados, isso é muito pouco, levando-se em conta que 70% de todos os empreendimentos trabalham na legalidade. Então, esses 30% têm de se adequar à nova realidade.”

De acordo Padrone, a região industrial do Araripe é a mais degradada de toda a Caatinga. “Esses empresários não são comprometidos com a preservação do meio ambiente. A troco de lucro pessoal, estão devastando completamente essa área.”

As empresas fechadas terão de pagar multa por crime ambiental e buscar um novo TAC com o Ministério Público para poderem voltar a funcionar. 



(Fonte: Radiobrás)